Palm lançará seu novo smartphone Pre até julho
Fonte:
http://gazetaweb.globo.com/Histórias de recuperação são irresistíveis, não só nos esportes, mas
também no
mundo dos negócios. Mas se recuperar de erros estratégicos é
extremamente difícil. Um exemplo foi o fracasso da
Palm em antecipar a
ameaça que a Apple representaria a seu principal negócio.
Aproximadamente dois anos após a Apple apresentar o
iPhone, a Palm
ainda não lançou o Pre, sucessor de seu envelhecido Treo. Muita coisa
depende do Pre, que, segundo a companhia, estará à venda antes de 1º de
julho: as vendas dos antigos smartphones da
Palm entraram em colapso.
Na quinta-feira (19), a
Palm anunciou que seus ganhos com smartphones
no trimestre que terminou em 28 de fevereiro declinaram para US$ 77,5
milhões, em comparação a US$ 171 milhões no trimestre anterior. Seu
prejuízo líquido de US$ 94,7 milhões foi o sétimo trimestre consecutivo
de perdas. "Estão apostando no Pre para salvar a companhia", disse Ken
Dulaney, analista da Gartner.
Uma porta-voz da
Palm disse que a aposta da companhia não está no Pre,
mas em seu
novo sistema operacional, o WebOS. A
Palm planeja lançar
produtos adicionais para o WebOS, mas não anunciou detalhes. Enquanto
isso, a Apple assume a dianteira. Na semana passada, ela apresentou a
terceira geração do
software do
iPhone, que atraiu um total de 50 mil
companhias e indivíduos que se inscreveram como desenvolvedores. Após
só oito meses, a App Store da Apple já tem um estoque com mais de 25
mil aplicativos, segundo a companhia.
A
Palm já esteve em posição similar, ostentando uma coleção
incomparável de softwares de terceiros nos anos 1990, quando o Palm
Pilot levou para a palma da mão o poder do computador. Na corrida pela
inovação, a
Palm ficou para trás não apenas da Apple, mas também de
outros, como
Google e Research In Motion (fabricante do BlackBerry),
que lançaram produtos ou softwares em resposta ao iPhone.
Em janeiro, a
Palm apresentou o Pre no Consumer Electonics Show, e
impressionou observadores do setor. O
telefone é sensível ao toque,
algo que o
iPhone popularizou, mas também tem um
teclado tradicional,
algo que falta no iPhone. Nem a
Palm nem seu distribuidor exclusivo nos
EUA, Sprint, quiseram fornecer o preço do Pre.
Conversei com Brodie C. Keast, vice-presidente sênior de marketing da
Palm, sobre os planos da companhia para o Pre. "Não queremos uma
disputa acirrada com a Apple, nem queremos competir com a RIM", ele
disse. Para ele, o Pre poderia encontrar um lugar confortável entre os
dois: "Se a RIM representa o
mundo do trabalho e a Apple o simples
entretenimento, então idéia do Pre é ter um único
telefone para a vida
inteira".
Mas já não existem várias versões do
telefone derradeiro? Afinal de
contas, a segunda geração do
iPhone funciona bem para e-mails
corporativos e fornece os
recursos de segurança exigidos pelos
departamentos tecnológicos das empresas. E, agora, o
BlackBerry roda os
softwares do Facebook, Flick e MySpace.
Algo que o Pre fará que o
iPhone não permite é multitarefas, o
funcionamento de mais de um programa ao mesmo tempo. Tal capacidade
será bem-vinda, mas precisamos esperar pela oportunidade de testar o
Pre na prática. Na semana passada, a Apple anunciou que permitiria que
desenvolvedores enviassem notificações ao
iPhone, como manchetes e
atualizações do Twitter, ao mesmo tempo que o usuário estivesse olhando
outro aplicativo - mas decidiu não acrescentar um processamento
integral de fundo porque consumiria a
bateria a níveis inaceitáveis.
O sucesso do Pre vai depender do que o consumidor vai achar do
telefone, mas também dos
serviços da Sprint. Em janeiro, a Consumer
Reports publicou os resultados de uma pesquisa em que os assinantes
avaliavam sua operadora de celular. Das 22 cidades dos Estados Unidos
em que a Sprint aparece, em 20 a companhia aparece em último, e no
terceiro lugar de quatro nas duas remanescentes.
Questionado sobre os resultados, o porta-voz da Sprint disse que "uma
análise independente mostra que a Sprint está progredindo" e que neste
ano dividiu o primeiro lugar na região oeste, segundo dados de um
estudo de
qualidade de ligações da J.D. Power & Associates. (A
Sprint continuou no último lugar, sozinha ou com outras, em quatro de
seis regiões no mesmo estudo.)
Para David Owens, executivo de marketing da Sprint, os "consumidores
não percebem a Sprint como a melhor rede", mas se fossem "olhar para
seu verdadeiro desempenho, veriam que há uma lacuna entre percepção e
realidade". Ele disse que a
rede de dados
3G da companhia cobre uma
área nos Estados Unidos com 250 milhões de pessoas, o que "é
significativamente maior do que a AT&T". (Um porta-voz da AT&T
disse que a companhia planeja expandir até o final do ano sua
rede 3G
para 370 áreas metropolitanas, ocupadas por aproximadamente 258 milhões
de pessoas.)
Quando o Pre estiver pronto, a
Palm vai precisar correr atrás de vendas
que atraiam desenvolvedores em grandes números. Na semana passada, a
Apple anunciou que havia vendido 30 milhões de aparelhos com softwares
do iPhone.
Em 2006, ano anterior ao lançamento do
iPhone, Ed Colligan,
chefe-executivo da
Palm, repeliu a noção de que a companhia precisaria
se preocupar com a entrada de empresas como Apple. "Apenas alertaria
aqueles que estão pensando em entrar neste mercado", disse. "Batalhamos
alguns anos até conseguirmos fazer um
telefone decente", acrescentou.
"O pessoal dos PCs não vai conseguir simplesmente superar isso."
Apple, a novata, não apenas entrou no negócio. Ela subiu uma plataforma
de 10 metros e executou dois saltos mortais e meio com duas piruetas e
meia no topo. É a vez da Palm.
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